Vida longa ao nosso rei: Ideologia!
Altares são ornados em seu nome.
Senhor de tudo que sentimos,
joga xadrez com nossas mentes.
Brincamos de pensar, quando, em verdade,
prestamos reverência a sua odiosa coroa.
Oh, Grande Rei, que nos fala
por sob vestes de ideias sombrias
do estrado cambiante da falácia!
Na luta da vida, ovacionamos suas palavras.
Na guerra, irmãos, famílias
e confrades travam contendas;
o sangue do amado na palma de nossas mãos
é o triunfo do nosso monarca.
Oh, Rei Sol dos novos tempos!
Quantos heróis vitoriosos,
privados do gozo da glória!
Quantos inimigos vencidos,
eximidos da dor do fracasso!
Quantos gênios relegados
à miséria da heresia!
Quantos energúmenos
jubilosos no poder!
Para o único triunfo
que é a força de sua coroa...
O humano que nos habita,
Exilou-se na caverna-mundo
e chora um pranto sincero de criança,
por isso a dor.
Chora seus confrades,
que caminham ingenuamente
até o abismo da subserviência
embalados pela flauta do seu déspota - Oh, Ideologia!
Chora de não ser,
num mundo que não permite ser.
Chora cada homem que tomba,
pois sabe que, depois da queda,
todos choram também à procura
sedentos de uma verdade esquecida
E a alma, na embriaguez dos delírios,
em troca de uma bandeira,
ficou largada ao chão
de uma estrada perdida.
Outubro 2003