Foto: Maurício da Rosa Ávila. Tapes/RS. 2021
Sinto saudade de um tempo
Em que o vento parecia ser a alma da gente.
Não...
Na verdade, não era bem a alma da gente.
Eu acho...
Atravessava ele
As minhas transparências.
Fazia pequenos redemoinhos em meu peito,
Espalhando os ciscos de mim,
E fugia para os arvoredos comigo.
Brincávamos entre os passarinhos.
Escondíamo-nos do sol entre as nuvens.
Chovíamos garoas,
Esparramando-as pelas tardes.
Revoávamos o poente de vermelho.
E, em seguida,
À noite,
Íamos juntos embora
Pelas estradas de lua.
23.04.2021