Vida longa ao nosso rei: Ideologia! Altares são erguidos tacitamente em teu nome.
Senhor de tudo que sentimos, Jogas xadrez com nossas mentes. Brincamos de pensar, quando, em verdade, Prestamos reverência a tua odiosa coroa.
Oh, Grande Rei, que nos falas Por sob vestes de ideias sombrias, Do estrado cambiante da falácia! Na luta da vida, ovacionamos tuas palavras. Na guerra, irmãos, famílias E confrades travam contendas; E o sangue do amado na palma de nossas mãos É o triunfo do nosso monarca.
Oh, Rei Sol dos novos tempos! Quantos heróis vitoriosos, Privados do gozo da glória! Quantos inimigos vencidos, Eximidos da dor do fracasso! Quantos gênios relegados À miséria da heresia! Quantos energúmenos Jubilosos no poder! Para o único triunfo que é a força de tua coroa...
Enquanto o homem que nos habita, Exilou-se na caverna chamada mundo. Chora um pranto sincero de criança, Por isso a dor!
Chora seus confrades, Que caminham ingenuamente Ao abismo da subserviência Embalados pela flauta do seu déspota - Oh, Ideologia!
Chora a fortuna de não ser, Num mundo que não permite ser. Chora cada homem que tomba, Pois sabe que, depois da queda, Todos choram à procura Daquilo que há No ser igual a si mesmo.