Arte digital desenvolvida em interpretação livre sobre o poema pela artista plástica Bianca Pretto. Passo Fundo/RS. Março de 2021
Eu compreendo os cinamomos: Colunas hirtas de um império que não houve Pendendo copadas sombras sobre casas velhas de musgo.
É quando a brisa quente do tempo Espalha o gosto verde pelos cheiros das sestas, Quando as pequenas flores brancas Enleiam-se nos cachos das meninas de trança E as surpresas estão todas de chinelos, Que os machados sangram sua inveja Pela quentura dos fios.
Atrapalham o progresso dos concretos Suas grandes raízes com firmezas que nem os homens temos.
Eles morrem sem chorar. Gemem sem sangrar. Não honram os metais com nenhuma gota de seiva.
Seguem mudos.
Ossatura pendurada De alguém insepulto.
Deixa eles, cinamomo! Não sabem da primavera…
Teus brotos pequenos Vingando verdes das amputações violentas Dirão aos que estavam certos da tua morte: Vassalos do útil, vocês não podem arrancar a vida!
Quantas vezes te mataram, cinamomo? Quantas vezes morri também? Os olhos dos verdugos são de gelo Como a ausência da Justiça....
Mas os sabres de fogo do tempo Logo ceifarão os cínicos da hora. Em breve, cinamomo, nossa copa solene Estará pronta para a simplicidade dos ninhos, Para o carinho dos ventos E para o sono dos ébrios...
Linda poesia. Homenagem ao cinamomo da casa da Dona Carmem.
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