Fico vagando pelo resto de tarde. Jeito manso de noite clara Nas maneiras do sol partindo. Uma copla bem floreada para a nova Que um grilo longe vai brandindo.
Nessas noites leves de setembro, Recém-nascidas no calendário do ano, Há um cheiro doce pela brisa. Qualquer coisa de primavera afaga O rosto grave de um inverno morto.
Viço nas folhagens e nas gentes.
Brotam perfumes e carícias No desdobrar dos botões de flores;
Chegam instantes lentos Nos dias que desconhecem pressa.
Já não fico onde me vejo. Perde-se o espírito, velho andejo, Por paisagens que sei ou adivinho. Não paro nas malhas do tempo Se o belo me fala de eternidades.
Foto: Paula Steil Machado. Tapes/RS. Brasil. Janeiro, 2021.
Havia no sol, ontem, uma insistência nova Na maneira de aquecer dos raios. Prenúncio de outra estação No movimento das harmonias. E um sabor de mil verões, Que o gosto das memórias traz à alma.
Enrubescem-se as vontades, Com sangue novo que verte Dos instintos despertos. As paixões têm mais sentido, O sentido mais essência. Mais vigor, cada alvorada.
Noites vagam incautas Pelas ruelas das vilas Deixando o rastro, descuidadas, Destas brisas pequeninas, Que vez em quando, travessas, Perdem-se nalguma folhagem.
Retine a prata da lua cheia Em cada pupila que sonha Novos dias siderais escondidos Sob o escuro manto Das distâncias do infinito.