Lua espalhando claridades Pelos remansos da noite. Estrelas. Não há vento E o escuro é infinito. Dessa vida sinto apenas o jasmim: Cheiro lilás em doçuras delicadas. Passeio distraído pela rua. Deus vê a mim sem que eu o perceba. Intuo sua presença nas coisas E sou pleno. Pequena brisa toca de leve os cinamomos E leva do meu peito todas as culpas. Lavadeiras atentas derramam baldes nas calçadas do meu ser. Lavam de escovas as lajes de mim – água fresca sobre a alma limpa. Não preciso ou devo, nem quero ou tenho. Apenas sou como vida e isso me basta. Nesse instante, a noite transpassa-me o ser E não sinto meu corpo. A casa, o cinamomo da frente, As pequenas pedras da rua, as estrelas, O jasmim e os odores, Tudo isso que compõe o enredo de minha calma de agora Desaparece da vista como coisa de pegar. Abraço, enfim, Deus Como quem abraça o pai. - Paz daquelas de voltar para casa - Meu vizinho sai à frente ter também com a noite E me acena. Largo-lhe um sorriso em despedida. Volto E tranco a porta. Imagino sonhos. Meu sono não é de dormir.
