
Pampeiro... Velho fantasma gelado… Assombras de pesadas solidões Os invernos da campanha. Tens o entono aragano Dos índios nossos Ancestrais americanos. Dizem, não sei, foi um boleador, Desses de terras paisanas, Que num tropel de disparada insana Ergueu teu sopro bravio No encalço das alçadas. Ou, quem sabe, há quem conte, Vieste da escarpa andina Assoviando... Desgarrado... Gemendo... Fugindo pela planura Do agito da envergadura Das asas de algum condor. Chibeiro de alheias memórias… Tens o nada do deserto nos vazios. Aroma de patagônia em teu gelo, E o agouro do abandono em assobios. Vento de dias metálicos Que há pelos frios de julho. Milonga que o povo entoa De tanto ouvir pelas noites Os uivos que o pampa soa. Não sei ao certo, pampeiro, O rastro do teu caminho. O certo é que és andarilho Destas províncias platinas, Trazendo o gosto amargo do inverno À fria cor dessas coxilhas. 07.07.11