Foto: Maurício da Rosa Ávila. Março de 2021, Tapes/RS
Eu hoje descobri o silêncio.
Ele é claro como uma manhã de outono. Há nele árvores E uma lagoa serena.
Pequeno bando de garças Cruza o céu Na direção de seu trabalho diário De espiar e colher peixes.
Nele há vento, cheiro de mato E nada para fazer.
Hoje eu descobri o silêncio.
E, na hora mesma em que o descobri, Uma garoa veio insistir Causando em mim breve estranhamento.
Olhei o entorno.
No silêncio encontrei uma figueira. Sentei-me em um galho seu, Desses que parecem braços de gente.
O João-de-Barro catando pequenos ciscos pela grama Veio ter a meu lado. Olhou-me com breve espanto. Não acreditou que lhe fosse fazer algum mal E seguiu o curso de sua vida Como sempre.