Onde larguei a serotonina? Fui pegá-la de volta E não estava mais lá.
Em verdade, nem mesmo sei Porque a deixava ir Para ter de buscá-la novamente.
Por que não a retinha comigo Desde sempre?
Enfim, de qualquer maneira, Fomos postos como Sísifo, Ao pé da montanha, Tendo de rolar a pedra Eternamente.
Houve um momento, porém, Em que alguém ficou triste com isso. Triste, de não haver remédio. E um outro sabichão bradou: - Este recapturou seratonina demais. Quem ceifa onde não semeou Paga em dobro a conta! - sentenciou.
Inventaram, então, os inibidores Para que não se colhesse felicidade Em campos de prazeres inoportunos.
Interessante que o remédio deste tempo Para os males da infelicidade Seja um inibidor.
O que se inibe na inibição? Sempre me ocorreu Que a tristeza Fosse a constatação captatória da falta.
Parece que não. Ou é, e isso é o que se inibe na inibição.
De qualquer modo, Ficamos melancólicos Como o malabarista no sinal: Jogando os malabares para cima Impedidos de pegá-los na outra mão.
Inibidos da vida Com a alegria baça dos produtivos.