Para as minhas avós, com saudades!

Resto esmaecido de paisagens velhas.
O tempo d’antes é agora amarelecido.
Sempre o aconchego da casa da avó
No macio das lembranças em tecido.

Colcha colorida sobre o sofá antiquado.
Janelas pequenas de madeira
Feitas por quem mora na casa.
- Assimetrias elegantes no labor silencioso que há nelas.

Tudo simples como a vida.
Tudo sempre como Deus.

Foto do Papa à parede
E a do casamento em seguida
Falam de transcendências incabíveis em qualquer livro santo.

O essencial das lembranças é o amor que causam para hoje.
Por isso, o amor insuspeito que há nas casas de avó.
Tudo lá aguarda nossa chegada
Nas maneiras carinhosas dos biscoitos que ela faz.

Há sempre o pão novo de forma para frugalidade de todos
E o pequeno, com olhos de feijão, feito só para nós.
Depois, passamos a vida buscando esse pão.
Nunca encontramos o amor que havia
Naquele de nossa avó.

Portanto, não estranho se,
Nessas tardes de tristeza,
Em que me cansei de ter altura,
Tenho saudades de avó;
E ânsia de me desfazer do que se apegou em meu ser
Como pega-pega de capoeira
Pelos caminhos tortos da vida.

Nesses dias, lembro da casa de minha avó
E sento com ela na varanda de mim.
Ela ainda me conta histórias
Cobertas com a doçura
Que uma bondade toda sua
Sabia por às cantilenas.

Deixe um comentário